O primeiro semestre de 2010 apresentou um bom resultado nas negociações coletivas efetuadas. Cerca de 97% dos acordos trabalhistas realizados entre janeiro e junho deste ano tiveram reajuste salarial igual ou acima da inflação, sendo 88% com aumento de ao menos 0,01% acima da inflação - os melhores resultados em 15 anos. Levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que os acordos foram mais vantajosos aos trabalhadores na comparação com os dois últimos anos.
Entretanto, se observarmos ao longo do tempo, a linha que representa a elevação dos salários tem progredido muito lentamente se comparada com a linha que representa o aumento da produtividade. Isto, porque a visão distorcida do patronato não consegue "ver" que o aumento de ganhos reais nos salários fortalece a economia e o mercado, mantendo um ciclo de prosperidade que atinge patrões (que vendem mais) e empregados (que compram mais), um beneficiando o outro.
Mas os trabalhadores sabem perfeitamente que a insistente recusa de aumento real nas mesas de negociações não tem nenhum respaldo neste momento histórico e estão buscando modificar este quadro, mobilizando-se, coordenando campanhas através das Centrais de modo a potencializar suas forças e vencer este choramingação sem sentido. Os resultados tem sido favoráveis ao trabalhador e devem melhorar ainda mais neste segundo semestre.
Afinal, está mais que na hora dos patrões entenderem que nosso papel não termina quando entregamos o produto de nosso trabalho, ele compreende também nossa interferência no mercado através da aquisição daquilo que ajudamos a produzir. Se não comprarmos mais, os patrões vão vender para quem e enriquecer de que modo?
A Diretoria
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