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Sindicato dos Empregados de Agentes  Autônomos do Comércio e em Empresas de  Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Empresas de Serviços  Contábeis de São José dos Campos e Região

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OPINIÃO

DESAFIOS PARA AGORA

(Boletim do DIAP nº 234)

 

O Movimento Sindical brasileiro terá três grandes desafios em 2010:

 

1º) Votar a agenda pendente no Governo Lula.
2º) Eleição de um aliado dos assalariados para a sucessão presidencial.
3º) Eleger uma grande bancada de deputados e senadores compromissada com a classe trabalhadora.

 

O primeiro desafio, que também é o mais urgente, consistirá em criar as condições para a votação conclusiva de cinco pontos da agenda sindical até julho, período útil de atuação do Congresso neste ano eleitoral, para que sejam transformados em lei ainda durante o Governo Lula.

 

Os projetos tratam da regulamentação da terceirização, que será enviado ao Congresso entre fevereiro e março; da estabilidade do dirigente sindical, já aprovado no Senado e sob exame da Câmara; da redução da jornada, que aguarda inclusão em pauta para votação no plenário da Câmara; do custeio das entidades sindicais, mediante a contribuição assistencial também já aprovado no Senado e aguardando manifestação da Câmara; e do fim ou da flexibilização do fator previdenciário, em debate na Câmara.

 

A urgência da votação dessas matérias se justifica pelo fato que o futuro presidente - seja ele ou ela quem for - não terá o mesmo conhecimento e sensibilidade do presidente Lula com o movimento sindical e os trabalhadores.

 

Além disso, as condições serão favoráveis, tanto do ponto de vista político, pela unidade das centrais e o apoio do Governo, quanto sob a ótica econômica, já que o País terá um crescimento superior a 5% este ano.

 

O segundo desafio, o mais estratégico de todos, será apoiar e contribuir para eleger para a Presidência da República alguém identificado com as bandeiras dos trabalhadores, a partir do compromisso com uma plataforma comum do movimento, já que dificilmente terá alguém oriundo do movimento sindical com chances de eleição e com o mesmo nível de comprometimento do presidente Lula.

 

Pelo fato de ser a candidata de Lula e representar a continuidade da linha programática do Governo, a ministra Dilma tende a ser o nome natural, embora o movimento sindical saiba que num eventual Governo dela não terá o mesmo nível de interlocução e prestígio que possui com o atual presidente da República.

 

O terceiro desafio, extremamente importante, é eleger aliados dos trabalhadores para a Câmara e o Senado, seja para apoiar as propostas de um eventual Governo identificado com a pauta dos trabalhadores, seja para fazer oposição quantitativa e qualitativa a um eventual presidente refratário à agenda trabalhista e sindical.

 

A presença de sindicalistas no Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado, vem diminuindo nas últimas eleições.

 

A sorte dos trabalhadores é que durante os governos Lula, especialmente nesta última legislatura, contou com lideranças comprometidas e de expressão no exercício do mandato parlamentar, como o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/SP) e o senador Paulo Paim (PT/RS), para liderar a resistências às investidas neoliberais da bancada empresarial.

 

Os desafios, portanto, são múltiplos e complexos. Transformá-los em realidade exigirá muita mobilização e unidade das lideranças sindicais, especialmente das centrais sindicais.

 

A Diretoria


 

Calote de Horas Extras

 

Nada menos que R$ 20,3 bilhões de horas extras não estão sendo pagas aos trabalhadores brasileiros. O número foi estimado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho com base no Relatório Anual de Informações Sociais (Rais).

Assim, ao deixar de registrar o trabalho adicional dos seus empregados, as empresas também prejudicam a Previdência Social e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) cujos recursos, enquanto não utilizados pelo trabalhador, são usados pelo governo para o financiamento do saneamento básico e da casa própria para as famílias de baixa renda.

Pelos cálculos do governo, a sonegação à Previdência Social pode chegar a R$ 4,1 bilhões. Outros R$ 1,6 bilhão são devidos ao FGTS. Somadas, as horas extras trabalhadas e não pagas no Brasil equivalem à carga horária correspondente a 956,8 mil empregos, que poderiam ser gerados em lugar do trabalho extra não remunerado. Esse volume de emprego é superior ao saldo líquido de vagas ofertadas em todo o ano passado. Em 2009, o mercado de trabalho foi capaz de criar 995.110 postos com carteira assinada.

Para evitar que os empregados continuem trabalhando de graça para as empresas, o Ministério do Trabalho publicou em agosto passado a Portaria 1.510, que busca regulamentar o registro eletrônico de ponto e a utilização do Sistema de Registro Eletrônico de Ponto pelas empresas.

A principal intenção do novo controle de jornada de trabalho é impedir que os horários anotados na entrada e saída do expediente de trabalho sejam alterados, como possibilitam alguns programas de computador disponíveis no mercado atualmente.


Os novos relógios de ponto devem emitir comprovante da marcação a cada registro efetuado, para que os trabalhadores tenham comprovação do horário de início e fim do expediente. Agora é colocar em prática para acabar com essa pouca vergonha.

 

A Diretoria


 

A NOVA MULHER

 

Dia Internacional da Mulher 2010... Muito foi conquistado, mas muito ainda há por fazer, pois, leis não são respeitadas... a discriminação persiste no trabalho atingindo MULHERES e MÃES. Os salários delas são mais baixos que os dos homens para a mesma função; elas acumulam a dupla jornada e não tem as mesmas oportunidades de qualificação...

 

Apesar disso, ajudam a construir este Brasil, com trabalho, esforço e dedicação, Estão em maior número no mercado de trabalho, nas estatísticas do desemprego e nas situações de desigualdade que o processo de globalização cria e, ainda assim, continuam defendendo o que conquistaram e mudando as regras patriarcais do capitalismo e da receita neoliberal que implica em redução dos serviços públicos, altas taxas de juros, liberalização dos movimentos de capitais, privatizações que as atingem com o aumento da pobreza, do desemprego, do trabalho doméstico e comunitário, cobrando a implementação de leis e políticas para erradicar a pobreza. Com sua luta ainda ajudam as minorias mais fragilizadas!

 

As mulheres tem corajosamente lutado por uma sociedade igualitária, humana e justa e para isso, hoje cobram a realização de um projeto nacional comprometido com a emancipação da mulher e por políticas públicas que efetivem seus direitos no dia a dia. Continuam lutando sem cansar pela igualdade de oportunidades e por condições de trabalho; pelo fim da violência de gênero e racial, pela erradicação do assédio moral e sexual; por uma saúde integral que considere as singularidades de gênero, de etnia, de geração e de classe; por uma imagem social que reflita a condição da mulher como cidadã e trabalhadora, parte fundamental do progresso desta grande nação.

 

Elas tem demonstrado nos últimos cem anos força, garra e muita esperança, apostando direto no compromisso social de construir um mundo livre da opressão, sem esmorecer apesar dos revezes... exigindo seus direitos e o respeito que merecem. Deixaram definitivamente de ser a bonequinha, construída no imaginário coletivo, linda, sem rugas, sempre sorridente e pronta para o sexo, para ser a cidadã que trabalha, estuda, concebe, grita, ri, faz ginástica, cozinha, brinca e anda de bicicleta, dirige caminhão ou legisla, sabendo como ninguém ser a mulher que está projetando uma nova era, com suas próprias mãos!

 

Nosso pleno respeito a esta nova mulher!

 

A Diretoria

 


 

40 horas na mira dos empresários

 

O tema da redução da jornada de trabalho continua causando tumulto entre os empresários. Falar em diminuir lucros significa uma heresia infame para a classe dos empregadores.

 

A choradeira é generalizada, a crise uma desculpa pífia para afirmar que a indústria não pode assumir gastos para produzir com a carga horária reduzida, o que provocaria um forte impacto no setor, causando desemprego. Apenas desculpas sem uma base sólida para fundamentar-se.

 

Mas o marketing contra está a pleno vapor. A Firjan estendeu uma faixa na Esplanada dos Ministérios; “PEC das 40 horas é mesmo um negócio da China: é para lá que os empregos vão”. Nada mais esclarecedor; o ideal é explorar os empregados como faz a ditadura chinesa.

 

A indústria não está disposta a ceder e ponto. Não enquanto continuarem a analisar a questão da seguinte forma: menos horas trabalhadas + horas extras caras = mais empregados + mais gastos = menos lucros.

 

O que não é verdade. Existem hoje no Brasil cerca de 24 milhões de trabalhadores no mercado formal, dos quais 70% trabalha acima de 40 horas semanais, ou seja, cerca de 17 milhões. Estima-se que a redução da jornada pode gerar 2 milhões de novos empregos e um impacto de apenas 1,9% no caixa das empresas.

 

Assim, 2 milhões de novos consumidores = aquecimento do mercado + consumo de mercadorias e serviços = maior incremento da cadeia produtiva = lucros maiores.

 

A redução da jornada já foi amplamente discutida com vários segmentos da sociedade; 40% dos países adotam a carga média de 40 horas semanais e comprovadamente as empresas que praticam 40 horas melhoram a produtividade. Não há mais o que discutir.

 

Sabemos que não vai ser fácil aprovar a PEC, mas temos a experiência acumulada de mais  de um século de lutas, unidade política, força e vontade de enfrentar qualquer inimigo que  queira barra a possibilidade de aprovação da proposta no Congresso. Estamos preparados.

 

A Diretoria


 

TRABALHO ESCRAVO

 

A assinatura da Lei Áurea, em 1888, não representou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sobre a outra, colocando fim à possibilidade de possuir legalmente um escravo. Ainda persistem situações que mantêm o trabalhador sem possibilidade de se desligar de seus patrões, um escravo sem essa denominação.

 

E, o trabalho escravo não é apenas um problema trabalhista. Trabalho escravo é um crime de violação de direitos humanos. Normalmente, quem se utiliza dessa prática também é flagrado por outros crimes e contravenções. Dessa forma, o trabalho escravo torna-se um tema  que liga diversas áreas e por todas deve ser combatido.

 

No Brasil o trabalho escravo envolve produtores e empresas de todo tipo e todo lugar, em vários cantos do Brasil. Casos de escravidão são noticiados toda semana pela mídia.

 

É absolutamente comum abrir um jornal e encontrar algo assim: "Sempre que vejo um trabalhador cego ou mutilado pergunto quanto o patrão lhe pagou pelo dano e eles têm me respondido assim: ‘um olho perdido - R$ 60,00. Uma mão perdida - R$ 100,00'. E assim por diante. Estranho é que o corpo com partes perdidas tem preço, mas se a perda for total não vale nada", afirma um integrante da equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego.

 

A situação é grave e precisa ser enfrentada de forma corajosa. Um enorme desafio que se coloca para a nação: construir um modelo de desenvolvimento sustentável, que equilibre o desenvolvimento econômico, social e ambiental.

 

Uma situação que exige urgência para ser resolvida, afinal até quando será assim?

 

A Diretoria


 

EXERCENDO DEMOCRACIA

 

Se o Brasil mantiver o mesmo ritmo de diminuição da pobreza extrema e da desigualdade de renda observados nos últimos cinco anos (2003 a 2008) poderá obter indicadores sociais próximos aos de países desenvolvidos em 2016. Da mesma forma, poderá alcançar uma taxa de pobreza absoluta de 4%

 

Os dados, divulgados constam de documento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),  vinculado a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e divulgados dia 12/01. São considerados pobres extremos aqueles que recebem até 25% de um salário mínimo por mês, enquanto os pobres absolutos dispõem mensalmente de até 50% de um salário mínimo.

 

Não duvidamos que grande parte do avanço no enfrentamento da pobreza está diretamente ligado à estruturação das políticas públicas sociais do governo federal. Entretanto ainda há muito por fazer e os constantes desvios de verbas enfrentados por todos os programas sociais é um ralo que não se consegue tapar. Fossem devidamente canalizados todos os desvios, nosso país já poderia ser considerado plenamente desenvolvido, tendo a pobreza extrema praticamente erradicada.

 

Este é um ano de eleições e mais uma vez vamos eleger as pessoas que vão decidir nosso destino político, econômico e social. Devemos escolher “a dedo” nossos eleitos. Políticos que garantam a elevação do gasto social no país, a descentralização da política social com o aumento do papel dos municípios na implementação das políticas sociais, além de garantir a consolidação institucional do quadro geral das leis sociais no Brasil e incrementar a participação das comunidades na formatação e gestão das políticas sociais.

 

Para isso se concretizar será necessário que as futuras casas legislativas se comprometam com novas leis que regulem a responsabilidade e o compromisso social, com metas, recursos, cronogramas e coordenação do programas que já existem e outros que venham a se concretizar, sendo efetivamente monitoradas e cobradas pela sociedade que deve monitorar e controlar ações de seus representados.

Assim se exerce democracia!

 

A Diretoria

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